Autoridades sanitárias dos Estados Unidos estão em estado de alerta máximo após a confirmação, por parte do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), de um caso de infestação pela mosca-da-bicheira, conhecida como bicheira-do-Novo-Mundo, em uma propriedade rural no estado mexicano de Coahuila. O animal infectado, uma ovelha de apenas seis meses, foi localizado a menos de 50 quilômetros da divisa com o território americano, marcando a aproximação mais significativa da praga desde o início do atual surto regional.
A espécie em questão é extremamente agressiva, tendo como comportamento biológico a deposição de centenas de ovos em feridas expostas de animais de sangue quente. Após o período de incubação, as larvas eclodem e passam a se alimentar diretamente do tecido vivo do hospedeiro, podendo causar danos severos e até levar o animal ao óbito caso não receba tratamento veterinário imediato. Embora ataques a humanos sejam considerados raros por especialistas, o potencial destrutivo para a pecuária é uma preocupação que mobiliza governos de ambos os países há mais de um ano.
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O impacto econômico de uma eventual entrada da mosca nos Estados Unidos seria devastador, dado que o rebanho bovino americano já opera em seu menor nível registrado nos últimos 75 anos. Estimativas projetadas pelo USDA indicam que um surto descontrolado poderia gerar prejuízos superiores a US$ 1,8 bilhão somente no estado do Texas. Tal cenário pressionaria ainda mais os preços da carne bovina, que atualmente já atingem níveis recordes no mercado global. Como forma de proteção, Washington mantém restrições rigorosas à importação de gado mexicano.
Para mitigar o risco, o governo americano tem investido cifras milionárias na construção de laboratórios voltados à produção de moscas estéreis, uma estratégia reconhecida internacionalmente como eficaz no controle populacional desta praga. Contudo, a demora na entrada em operação destas instalações mantém o cenário de incerteza para pecuaristas, que aguardam medidas de contenção mais efetivas para evitar uma crise sanitária de proporções continentais nas Américas.






