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Aos 169 anos, Caruaru reafirma sua identidade através da música e tradição da sua famosa feira

Por Redação Arcoverde Agora
Aos 169 anos, Caruaru reafirma sua identidade através da música e tradição da sua famosa feira

Poucas obras conseguem sintetizar a alma de um povo com tamanha precisão quanto a canção "A Feira de Caruaru". Sete décadas após a sua composição original por Onildo Almeida, a música continua a transcender gerações, servindo como uma crônica melódica do cotidiano na maior feira ao ar livre do Nordeste. No momento em que Caruaru, no Agreste de Pernambuco, comemora seu 169º aniversário nesta segunda-feira (18), o clássico musical permanece como o retrato sonoro e afetivo mais autêntico do município.

Mais do que uma simples composição popular, a obra consolidou-se como um verdadeiro documento histórico e patrimônio cultural imaterial. Gravada inicialmente pelo seu autor em 1956 e eternizada no ano seguinte na voz imortal de Luiz Gonzaga, a canção foi o grande vetor de divulgação nacional e internacional do polo comercial. A letra, que descreve com minúcias a diversidade de produtos encontrados nas bancas, ajudou a projetar a imagem da cidade como um local onde "se vende de tudo que há no mundo", cimentando sua relevância econômica e turística.

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Para historiadores locais, como José Urbano, a relação entre a feira e a fundação da cidade é indissociável. Ao contrário do padrão urbano tradicional, onde a cidade precede o comércio, Caruaru surgiu a partir da efervescência econômica ao redor da capela de Nossa Senhora da Conceição, erguida em 1782. Hoje, o Parque 18 de Maio abriga um complexo diversificado de 14 feiras especializadas, que vão desde a moda — com a consolidação oficial da Feira da Moda de Caruaru — até o artesanato de barro e a culinária regional, mantendo pulsante a vocação comercial que deu origem à metrópole agrestina.

O legado de Onildo Almeida, que aos quase 98 anos continua sendo uma referência viva da cultura pernambucana, é hoje celebrado com a remasterização de sua obra original. Ao longo de sua trajetória, o compositor colaborou com ícones da música brasileira, como Jackson do Pandeiro e Gilberto Gil, mas sua ligação com a feira de sua terra natal permanece inabalável. Para os caruaruenses, a feira e a música são faces da mesma moeda; enquanto a feira se moderniza e se expande, os versos de Onildo garantem que a essência popular permaneça intacta, reafirmando Caruaru como um polo vital da cultura e da economia nordestina no Brasil.

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