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Anfavea critica isenção fiscal para carros elétricos e alerta sobre desigualdade competitiva

Por Redação Arcoverde Agora
Anfavea critica isenção fiscal para carros elétricos e alerta sobre desigualdade competitiva

A decisão recente do governo federal de prorrogar a isenção de impostos para a importação de veículos elétricos semidesmontados (processos CKD e SKD) até janeiro de 2027 gerou um forte descontentamento na indústria automotiva nacional. Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), afirmou nesta terça-feira (7) que a medida cria um ambiente de concorrência desigual, penalizando as montadoras que já possuem infraestrutura fabril consolidada no Brasil há décadas. Segundo a entidade, o incentivo favorece desproporcionalmente marcas chinesas que optam por importar veículos desmontados em larga escala para montagem final no país.

Calvet enfatizou que a disparidade de custos operacionais, logísticos e de capital torna quase impossível o enfrentamento por parte das empresas tradicionais. Para o executivo, o atual modelo de cálculo da cota de importação, que movimenta cerca de US$ 463 milhões, é ineficiente por basear-se em dados de mercado desde 2023, ignorando o dinamismo recente do setor. Estima-se que, sob as regras atuais, aproximadamente 80% dessa cota de isenção seja absorvida pela fabricante BYD, o que, na visão da Anfavea, distorce o propósito do fomento à transição energética nacional.

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Além do impacto econômico, a Anfavea manifestou profunda preocupação com o mercado de trabalho. A transição para um modelo focado apenas na montagem de veículos importados (CKD/SKD) representaria uma ameaça direta à mão de obra qualificada. De acordo com estudos da entidade, o processo de montagem simplificada requer significativamente menos etapas produtivas, o que poderia levar à perda de até 70% dos postos de trabalho que hoje são garantidos pela cadeia produtiva completa e sofisticada que o Brasil desenvolveu ao longo de muitos anos.

O setor automotivo argumenta que o incentivo governamental deveria estar alinhado com a meta de nacionalização da produção de veículos eletrificados. A crítica central da associação é que, ao facilitar a entrada de componentes estrangeiros com carga tributária reduzida, o governo desestimula o investimento em plantas locais completas. A Anfavea defende que os critérios para a concessão de tais benefícios deveriam ser revistos para refletir o cenário atual, garantindo que o progresso tecnológico rumo à eletrificação não ocorra em detrimento da indústria brasileira e da estabilidade de milhares de famílias que dependem do setor.

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