Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro intensificaram, nos últimos dias, uma ofensiva diplomática junto a interlocutores próximos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O objetivo central deste grupo é viabilizar a reativação da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa, que ganhou força nos bastidores, reflete a busca da oposição por mecanismos internacionais de pressão, visando, em última instância, o impeachment de membros da Suprema Corte brasileira.
Paulo Figueiredo, figura próxima ao deputado Eduardo Bolsonaro, sinalizou que o cenário político atual permite discutir medidas mais incisivas. Segundo ele, embora não haja indícios de retaliações comerciais que pudessem afetar a relação entre Brasil e EUA — algo que poderia ser politicamente explorado pela gestão de Luiz Inácio Lula da Silva —, a aplicação de sanções individuais, popularmente descrita como uma 'pena de morte financeira', permanece como o foco principal das articulações bolsonaristas em Washington.
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A Lei Magnitsky, originalmente criada para punir violações graves de direitos humanos e corrupção em grande escala, impõe sanções severas. O sancionado fica impossibilitado de possuir contas bancárias ou cartões de crédito vinculados a operadoras americanas, o que frequentemente causa um efeito dominó global, obrigando instituições financeiras de diversos países a congelar ativos por medo de represálias secundárias. Além disso, a restrição inclui o cancelamento de vistos e uma mancha reputacional permanente, ao incluir o nome do indivíduo em uma lista internacional de violadores de direitos humanos.
Historicamente, o uso dessa legislação contra uma autoridade brasileira não tinha precedentes até a inclusão de Moraes e sua esposa na lista em 2025 — posteriormente removidos em dezembro do mesmo ano. A justificativa na época girava em torno de acusações de influência indevida no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por crimes ligados ao planejamento de atos golpistas. A retomada dessa pauta reafirma a polarização política que atravessa as fronteiras nacionais e coloca novamente o Judiciário brasileiro no centro do debate diplomático entre Brasília e Washington.






