O ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, foi detido pelas autoridades norte-americanas em Orlando, na Flórida. O nome de Ramagem passou a constar oficialmente no sistema do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), dos Estados Unidos, indicando que ele se encontra sob custódia daquele órgão. A detenção foi confirmada pela Polícia Federal brasileira, que recebeu a notificação oficial por parte do governo dos EUA por volta do meio-dia, no horário de Brasília.
Segundo as informações divulgadas até o momento, a prisão ocorreu por questões migratórias, uma vez que o ex-parlamentar encontrava-se em situação irregular em território americano. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, destacou que a captura é resultado de uma estreita cooperação internacional no combate ao crime organizado. Ramagem, que figurava como foragido da Justiça brasileira, deixou o país após ter sido sentenciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a uma pena de 16 anos de reclusão. O ex-diretor é apontado como peça central na trama golpista que visava a ruptura democrática e a manutenção do ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.
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A trajetória de Alexandre Ramagem, que é delegado de carreira da Polícia Federal desde 2005, é marcada por controvérsias profundas. Durante a gestão do ex-presidente Bolsonaro, sua liderança na Abin tornou-se alvo de intensas investigações, especialmente sobre o suposto uso da estrutura de inteligência do Estado para monitorar adversários políticos, um episódio que ficou amplamente conhecido como o escândalo da "Abin Paralela". A proximidade entre Ramagem e a família do ex-presidente também gerou tensões institucionais constantes, incluindo a tentativa frustrada de sua nomeação ao cargo máximo da PF em 2020.
Após ser eleito deputado federal em 2022, Ramagem viu sua carreira política ser interrompida pelo Judiciário. Em dezembro de 2025, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados oficializou a cassação de seu mandato, decorrente diretamente de sua condenação criminal. O governo brasileiro agora trabalha junto às autoridades americanas para definir os trâmites do processo de extradição ou deportação, visando garantir que o condenado cumpra a pena estipulada pelas instâncias judiciais brasileiras. A expectativa é que o desdobramento do caso continue sendo monitorado de perto pelas instituições nacionais e pela imprensa.






