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Agronegócio brasileiro articula estratégia em Washington para reverter tarifas de Trump

Por Redação Arcoverde Agora
Agronegócio brasileiro articula estratégia em Washington para reverter tarifas de Trump

Em uma ofensiva diplomática e comercial de peso, representantes de três setores estratégicos do agronegócio brasileiro desembarcaram em Washington para participar de uma audiência pública decisiva nesta segunda-feira (6). O objetivo central da comitiva é reverter a recente rodada de tarifas proposta pelo governo de Donald Trump, que mira uma série de produtos brasileiros como parte de uma estratégia de negociação mais ampla envolvendo temas sensíveis, como minerais críticos, tecnologia e combate ao desmatamento. Embora produtos como o café solúvel, o mel e os pescados não representem o maior volume das exportações brasileiras para os Estados Unidos, eles foram incluídos na lista de sobretaxas, gerando um alerta sobre os impactos diretos na economia de ambos os países.

Especialistas que acompanham as negociações ressaltam que o cenário atual guarda semelhanças com o "tarifaço" de 2025, sugerindo que existe uma margem para diálogo e ajuste. Segundo Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), a medida americana parece fazer parte de um xadrez geopolítico maior. A expectativa dos setores brasileiros é demonstrar que a imposição dessas tarifas não apenas prejudicará os exportadores nacionais, mas terá efeitos colaterais severos para o consumidor norte-americano, como a elevação da inflação e possíveis desabastecimentos, visto que o Brasil ocupa posições de fornecedor essencial em nichos onde a produção doméstica dos EUA é insuficiente.

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No setor de mel, a defesa brasileira destaca que o Brasil é o maior fornecedor global de mel orgânico para os EUA, representando cerca de 83% do que é importado. A ausência de capacidade produtiva interna dos EUA para substituir o produto brasileiro torna a tarifa uma ameaça ao bolso do consumidor local. Paralelamente, a indústria de café solúvel argumenta que as taxas ignoram a realidade da cadeia de valor, já que grande parte do envase e distribuição é realizada por empresas norte-americanas, gerando empregos naquele país. A Abics aponta, inclusive, possíveis falhas na classificação tarifária, dado que o café solúvel tradicional ficou de fora das isenções concedidas a outras variações do produto.

Por fim, o setor de pescados, liderado pela Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca) em parceria com a National Fisheries Institute dos EUA, aposta na segurança alimentar. Com a tilápia brasileira ganhando espaço como uma alternativa sustentável e de qualidade frente aos produtos chineses, a taxação poderia prejudicar os esforços dos importadores americanos em diversificar suas fontes de suprimento. O Brasil, que segue padrões rigorosos de sustentabilidade, reforça que sua produção é, em grande parte, artesanal e familiar, contribuindo para a resiliência das cadeias de abastecimento internacionais. A expectativa dos empresários agora reside na sensibilidade do governo norte-americano aos dados técnicos e econômicos apresentados, buscando preservar uma relação comercial histórica e estratégica.

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