A prisão de André Maia Oliveira, de 47 anos, ocorrida na última quinta-feira (19), trouxe novos desdobramentos sobre a conduta do suspeito pouco antes de cometer a tentativa de feminicídio contra sua ex-companheira. O crime, que chocou os moradores do bairro do Espinheiro, na Zona Norte do Recife, envolveu a invasão de um prédio residencial com um veículo, disparos de arma de fogo e ameaças diretas. O investigado, que se entregou às autoridades após um período foragido, havia procurado assistência jurídica apenas dois dias antes da ação violenta, levantando questionamentos sobre a premeditação do ato.
O advogado Maurício Bezerra, contratado pelo suspeito na segunda-feira (16), relatou que, durante a reunião inicial, seu cliente apresentava um comportamento sereno e disposto a dialogar sobre as medidas protetivas vigentes. Segundo o defensor, o foco da consulta era discutir estratégias processuais para lidar com o processo de proteção que já restringia seu contato com a vítima. No entanto, após a rendição de André Maia na Delegacia de Casa Amarela, a postura do suspeito mudou drasticamente. Ele se recusou a prestar esclarecimentos aos seus próprios defensores, o que tem gerado incerteza sobre a continuidade da representação legal na fase de investigação por tentativa de feminicídio.
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O caso teve início na madrugada da quarta-feira (18), quando o homem invadiu o Edifício Vila Marina, derrubando o portão da garagem com o próprio automóvel. Ao chegar ao 5º andar, ele desferiu pelo menos 20 disparos contra a porta do apartamento onde a ex-companheira reside com a mãe. Testemunhas relataram que o agressor portava um galão de gasolina, indicando uma intenção deliberada de causar uma tragédia ainda maior através de um incêndio. Após a fuga e as ameaças telefônicas feitas posteriormente, a polícia iniciou uma busca intensiva, resultando na identificação e posterior apresentação do autor na Delegacia da Mulher.
Atualmente, André Maia Oliveira encontra-se detido no Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, devido ao descumprimento da medida protetiva. Paralelamente, o sistema judiciário pernambucano se prepara para a audiência de custódia referente à tentativa de feminicídio. O escritório de advocacia ainda avalia se assumirá a defesa integral do caso, uma vez que a falta de colaboração do cliente torna complexa a construção de qualquer tese. O episódio reforça a necessidade de vigilância constante em casos de violência doméstica, mesmo quando o agressor aparenta, em ambientes formais, manter uma postura de controle e normalidade.






