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Açude em Rajada transborda e submerge sítio arqueológico com gravuras de 6 mil anos

Por Redação Arcoverde Agora
Açude em Rajada transborda e submerge sítio arqueológico com gravuras de 6 mil anos

O recente período chuvoso registrado no município de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, entre os meses de fevereiro e março, trouxe não apenas alívio para os reservatórios da região, mas também uma mudança drástica na paisagem de um importante sítio arqueológico. O Açude das Pedras, localizado no Distrito de Rajada, atingiu sua capacidade máxima e transbordou após seis anos de estiagem, submergindo figuras rupestres que remontam a mais de seis mil anos de história. A cena, que enche de alegria os moradores locais, marca um ciclo natural que costuma se repetir apenas a cada seis ou oito anos, dependendo da saturação das bacias hidrográficas vizinhas.

Dados da Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC) apontam que a precipitação acumulada atingiu 149,4 mm em fevereiro e 144,2 mm em março, volumes cruciais para a recarga do manancial. Para o professor Genivaldo Nascimento, que tem se dedicado ao estudo e à preservação dessas gravuras, o fenômeno é visto sob uma ótica quase providencial. Segundo ele, diante da falta de políticas públicas de conservação e da ameaça constante de vândalos, a natureza parece ter assumido a responsabilidade de resguardar o patrimônio. Com a submersão, as rochas, que possuem aproximadamente 650 milhões de anos, ficarão protegidas sob a lâmina d'água pelos próximos cinco anos, tempo estimado para que o ciclo hídrico baixe novamente.

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A importância científica do local ganhou destaque a partir de 2015, quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) iniciou o mapeamento oficial das gravuras. Antes disso, o conhecimento sobre as inscrições era restrito ao imaginário popular, que as tratava apenas como desenhos indígenas, sem compreender a profundidade histórica que carregavam. A colaboração com especialistas, como o professor Juvandi Santos, foi fundamental para validar a relevância arqueológica das inscrições feitas em rochas magmáticas.

Do ponto de vista arqueológico, as gravuras permanecem como um enigma fascinante. O professor Genivaldo explica que é impossível determinar o contexto exato da sua criação, mas a complexidade técnica empregada pelos ancestrais demonstra um esforço intencional de comunicação. As gravuras teriam sido produzidas por povos nômades que se deslocavam do atual território do Piauí em direção ao Vale do Rio São Francisco. Embora o significado dessas mensagens permaneça oculto, as inscrições servem como testemunho silencioso de civilizações passadas e das transformações geológicas do próprio planeta, consolidando o sítio de Rajada como um patrimônio de valor inestimável para a história da humanidade.

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