Passagens aéreas em alta: custo pode subir até 20% pressionado pelo preço do querosene

Viajar de avião no Brasil tem se tornado um desafio financeiro cada vez maior para os consumidores. Dados recentes divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) revelam que o preço médio das passagens aéreas domésticas atingiu a marca de R$ 632,53 em maio deste ano, consolidando uma tendência de alta que impacta diretamente o planejamento de viagens de milhões de brasileiros. Esse valor representa um aumento expressivo de 11,2% em comparação a maio de 2025, quando a média era de R$ 568,96, e uma elevação de 7,3% em relação ao mesmo período de 2024.
A análise técnica da Anac, que monitora mensalmente as tarifas do setor, exclui taxas aeroportuárias e outros encargos adicionais, focando exclusivamente no custo do transporte. Apesar de cerca de 49,1% das passagens comercializadas em maio ainda se manterem abaixo da faixa dos R$ 500, a preocupação dos especialistas reside no topo da pirâmide de preços: 5,4% dos bilhetes vendidos superaram a casa dos R$ 1.500, um valor que se aproxima perigosamente do salário mínimo vigente, tornando a aviação um serviço elitizado para uma parcela significativa da população.
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O principal motor desta escalada de preços é o custo do Querosene de Aviação (QAV). De acordo com informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do litro do combustível atingiu R$ 6,46 em maio, refletindo uma disparada impressionante de 68,5% em relação ao ano anterior. Esse cenário é agravado pelas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, além da instabilidade no Estreito de Ormuz, uma artéria vital por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. Qualquer volatilidade nessa região reverbera imediatamente no custo operacional das companhias aéreas brasileiras.
Enquanto os custos operacionais sobem, o setor mostra sinais de resiliência com 8,3 milhões de passageiros transportados em maio, um crescimento de 2,5% no mercado aéreo. No entanto, o cenário competitivo mudou, com uma concentração de mercado acentuada: Latam e Gol consolidam seu domínio, respondendo por 72% das operações nacionais, enquanto a Azul enfrenta uma perda de participação que levanta questionamentos sobre a oferta futura de rotas e o equilíbrio de preços no longo prazo para o passageiro brasileiro.
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