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Jovem registrada como filha de canibal de Garanhuns relata abusos e luta para retirar nome do criminoso da certidão

Por Redação Arcoverde Agora
08/12/2025
Jovem registrada como filha de canibal de Garanhuns relata abusos e luta para retirar nome do criminoso da certidão

A jovem de 19 anos registrada como filha de Jorge Beltrão Negromonte, líder do trio conhecido como “Canibais de Garanhuns”, afirmou ter tido “a infância roubada” pelo homem que assassinou sua mãe e usava carne humana para rechear empadas na cidade de Garanhuns (PE), nos anos 2010. Hoje, ela busca retirar o nome dele de sua certidão de nascimento.

Segundo relatou ao programa Domingo Espetacular, da TV Record, Júlia — que à época era chamada de Emanuele Victória — nasceu quando sua mãe tinha apenas 15 anos, enfrentando extrema vulnerabilidade e sem apoio familiar. A adolescente chegou a se prostituir para sustentar a filha.

Aos dois anos, Júlia presenciou, ainda sem entendimento, o assassinato da mãe cometido por Negromonte, que dizia seguir ordens de supostas “vozes”. “Eu lembro apenas dos clarões”, afirmou.

Infância dentro da seita e relatos de abuso

A criança passou os três primeiros anos de vida dentro do grupo que o trio chamava de “Cartel”, suposta seita que guiava os rituais e justificativas dos crimes. Júlia contou que via Negromonte como pai naquele período: “Eu via como se fosse realmente minha família. Via Jorge como se fosse o melhor pai do mundo. Foi uma manipulação.”

A jovem também revelou que sofreu abuso sexual enquanto vivia com o grupo. “Ele roubou minha infância”, disse.

Após a prisão dos envolvidos, quando Júlia tinha cerca de cinco anos, ela foi encaminhada a um abrigo. Lá, viveu pela primeira vez algo próximo a uma rotina infantil. “Passei a brincar com outras crianças. Passei a ser um pouco criança”, relatou.

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A última visita a Negromonte ocorreu quando ela tinha 9 anos, já em ambiente monitorado. Desde então, tenta romper definitivamente o vínculo com o nome dado por ele.


“Meu nome é Júlia Gabriela agora. Meu sonho é escrever um livro e mudar meu nome: A história de Emanuele, como se fosse um passado deixado para trás”, afirmou.

Relembre o caso

O trio — Jorge Beltrão Negromonte, Isabel Cristina Pires e Bruna Cristina Oliveira — foi denunciado em 2012 pelos assassinatos e ocultação de cadáver da jovem Jéssica Camila da Silva Pereira, de 17 anos. Partes do corpo foram encontradas enterradas no quintal da casa e, segundo a investigação, a carne teria sido usada para rechear empadas consumidas e vendidas pelos acusados.

O caso chocou o país pela possível motivação ritualística e pelas declarações do grupo sobre “purificação”, rituais e consumo de carne humana. Ficou conhecido como o episódio dos “Canibais de Garanhuns”.

Em vídeos divulgados posteriormente, Negromonte chegou a se apresentar como pastor dentro do presídio. A defesa afirma que ele estaria convertido e dedicado à vida religiosa.

O trio foi condenado em dois júris populares, em 2014 e 2018, pelos três assassinatos: o de Jéssica Camila, Gisele Helena da Silva (31) e Alexandra Falcão da Silva (20). As penas foram somadas e ampliadas pela Justiça em 2019.

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